As místicas visões e a razão

Sobre as místicas visões que a Astrologia sói considerar fruto de Netuno, e as visões de sonhos e mesmo os encontros despertos que parecem ser tão só simbólicos; são águas de muito engrandecer, mas, interpretá-los e dar-lhes sentido, seria o paradoxo do avesso do lógico? Explico: se para um cético crer pela mera existência destas experienciações já é em demasia absurdo, querer adentrar as estâncias mágicas dos sonhos com gana de entendimentos e razões não seria pecar pelo mesmo viés?

Sabedoria antiga diz que dos contatos místicos não há palavra: vive-se, frui-se e o que nisto se cresceu foi dádiva que conosco permanece: explicá-lo é tentar dar nome a peixes-bois, sob o véu de denso mar. Mas, se sempre cabe recordar-nos do pseudo-Voltaire e o gato preto na sala escura que não se encontrava mas com tanta outra coisa se topava… Seria o interpretar dos sonhos caravela para outras realidades se conceber?

Penso que há duas noções astrológicas que mui auxiliam neste tipo de reflexão. Dois Signos que em seu modo diferente de lidar com o que chamamos “razão” explicam nosso proceder: Gêmos e Virgem.

O Signo de Castor e Pollux é dos rápidos raciocínios e movimentada palavra, regido sem dúvidas por Mercúrio, Deus da leveza e velocidade a tudo explorar; Virgem, por outro lado, é o Signo dos esmerados detalhes, do cuidar zeloso e lento, que na Astrologia antiga considerava-se também regido por Mercúrio, mas que muitos hoje o concebem regido por Ceres, a Deusa da candura dos cuidados das colheitas.

Ora, a “Queda” de Mercúrio (aqui visto como a reger apenas Gêmeos) é no Signo de Peixes. Isto porque dentro da névoa Pisciana muito pouco se pode com a leveza do ar… A própria voz é abafada, e lemos na epopéia o quanto Hermes, enviado por Pallas para ajudar Odisseu, lamentava estar ali em meio aos mares, tendo de lidar com emboscadas de Poseidon…

Seria assim um tanto quanto incauto tentar adentrar o veloz raciocínio no que é inebriante devaneio… A umidade abafa o pensamento, e parecemos quase nada distinguir. Disto, viria a lição de que o pensamento estrito não pode com o sonho: não pode com o fruir místico que é sempre imenso sem precisar de razão.

Porém, há também o Signo de Virgem, cujo Planeta regente fica necessariamente em posição de “Detrimento” quando em Peixes. Embora ainda uma posição dificultada, o Detrimento sem dúvida é muito mais favorável do que a Queda. E isto se mostra com a grande frequência com que explicamos Mitos, histórias fantásticas, lendas, metáforas, visões e experienciadas metafísicas por meio não de intenso raciocínio, mas de amplas separações e distinções, típicas do Signo de Virgem.

É como se ao tentarmos adentrar o Mito – e nisto também os sonhos – com o raciocínio, quedamos inertes. Mas, ao tentar apenas separar estas ou estas partes do que experienciamos e tentar encontrar sentidos simbólicos para estas amplas classificações: parecemos melhor caminhar. Ceres, a Deusa do detalhar, da análise e das distinções ainda que em “Detrimento” nos mares de Netuno consegue ainda assim fazer distinções, mesmo que entre as figuras tão inusitadas que os devaneios soem mostrar – metáforas.

Neste viés, poderíamos dizer que, ao lidar com o místico, qualquer outro Planeta estaria melhor favorecido; e assim vemos que as emoções da Lua, a Fé-Jornada de Júpiter, até mesmo o sério terrenal enfoque de Saturno; todas estas forças estariam em melhores condições do que o regente de Gêmeos, na Queda, e a regente de Virgem, em detrimento.

Não obstante, parece que frequentemente Ceres é quem vem nos ajudar a conseguir, se não Mercurianamente entender, ao menos fazer largas distinções, separando partes das visões e dos mitos para procurar sentidos simbólicos gerais – e é baseado nisto (e não diretamente nos sonhos) então que nosso entendimento trabalha, posto que Virgem – o terreno criado por Ceres – é a exaltação de Mercúrio. No que, de modo indireto, soemos avançar o entendimento no que, nem por isto, deixará de ser fruição e mares.

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