Elementais de Leão

Os elementais do signo de Leão são como mui sutis vagalumes que tudo querem iluminar. Dizem que controlam aquilo que sim ou não enxergamos, trazendo, como tochas na noite escura, a luz que precisamos para a pequena partícula de imenso breu – o nosso mundo consciente que tanto prezamos e admiramos – iluminar. Passeiam pelo ar com leveza quase invisíveis mas sua força nos faz ver e nos influi também grande vitalidade e boa disposição.

Acompanham os movimentos do Sol, e se é certo que receber-lhe os raios na pele já é contato com estes seres, sua melhor compreensão se dá mesmo pelo Zodíaco, e ao acompanharmos o movimento solar em relação ao nosso mapa natal. Afinal, a visita dos elementais é sempre particular, e só muito ingênuos cremos estar no mesmo tempo e mundo que o que de fora nos rodeia afinal, o Sol e seus elementais podem estar visitando Vênus em nosso mapa, em plena vibrante casa 5, no mesmo instante que visitam o alvorecente Júpiter na sombria casa 8, mediante o mapa natal de uma árvore bem à nossa frente.

Aos poucos, em mais nos concederem boa energia, seu influxo vai se tornando vontade de imediata expressão: não nos aguentando em nós queremos a luz que cada vez mais pulsa externar: urge que nos expressemos. E é com alegria que vem o canto, a dansa, as dramáticas declamações. Vem mesmo o grito – como prazenteiro e rústico rugido de Leão – e as tragadas de nas telas coloridos pincéis.

E é assim que, conscientes mas não de seu mistério, mais imitamos o Sol, e o radiante brilo faz-nos centro de um novo rodado universo. Dizem que foram destes que certa vez sopraram à Rumi o encanto de rodar e rodar e mais como estrela ser: pois se o mundo não rodasse, ora, diz Plotino, de círculo seria só mesmo um ponto. Plotino nunca quis escrever. Talvez tivesse suas duvidâncias do que fora corrente palavra, tinta traçada num papiro, sem a extremada expressão. Nã nos deixam enganar suas metáforas – e tantas à referir-se à Luz – o quanto dava de real importância ao que pode ser exlamado expresso.

Antes da razão, antes mesmo de termos formado condizente raciocínio e palavra, há o grigo, há o gesto, há o encanto de um meneio de expressão: há a voz e o riso. Quiseram-lhe, porém, os artísticos elementais solares que fossem suas exclamadas metáforas preservadas, e coube a seu aluno Porfírio guardar-lhe até biografia, em que relata, – ao léu do gracejar de solares influxos – que não queria ser esculpido ou pintado em tela – e a forma, no exclamar do Sol, não percebeu que pois também era maior em Luz?

Num poema há sempre leve pensamento e compreendido sentido, mas na expressão, na ânsia que se lhe permite uma real declamação, habita em toda página de relicário-livro etérea morada destes seres de fogo, vagalumes ainda mais miúdeos – em seu sublime iluminar.

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