Júpiter

Júpiter inaugura o que na astrologia se chama planetas “transpessoais”. Lentos e distantes planetas que em seu demorado cruzar o céu influenciam inteiras gerações humanas. Quando nos aspectam – isto é, quando aspectam nosso mapa natal – são bastante notáveis, pois sua influência pode durar bastante tempo e marcar partes de nossa vida. Os antigos só conheciam dois: Júpiter e o anelado Saturno. Na hodierna prática, conta-se também, classificados como planetas transcendentais ou pós-saturninos: Urano, Netuno e Plutão – além de diversos transmarcianos e mesmo transneptunianos astros – e Chíron, ponte de Saturno a Urano. Os antigos, ao vislumbrarem aquele primeiro lento ponto a atravessar o céu talvez pressentissem os múltiplos asteróides que passam entre Marte e Júpiter, com miríades de semânticas em seu tanger o sublunar.

Ora, em se tratando de gerações humanas e as grandes realizações sociais, não se estranhe que os planetas transpessoais sejam frequentemente mal-vistos; e é justo culpar antes os desvarios do homo sapiens sapiens do que os céus! Com Júpiter, não obstante, a sina interpretativa dos astros contíguos nunca lhe tocou: o que mais impressiona se notarmos, somando-se a isto, o fato de ser o único transpessoal de fogo!

A chama múltipla de Júpiter sempre inspirou chamarem-lhe generosa, expansiva, criativa, benévola e mesmo divertida. Fama que também carrega seu regido signo, Sagitário. Cumpre observar que neste signo jazem dois misteriosos pontos da Orbis Universalis, o Grande Atraídor, e o Centro da Galáxia. Não se pense, contudo, que por ser transpessoal planeta exerça menos influência em nosso mais íntimo ou cotidiano viver – muito disto o inverso! Onde estiver Júpiter em nosso mapa natal será âmbito em que sua infinda criatividade nos será legada.

Talentoso, é como parece um ser aos olhos dos outros, quando influído por Júpiter – mas este adjetivo apenas é disfarce, meio-modo de pronunciar o espanto ante a habilidade incansável e sempre renovada e diversa em cada seu vivenciar de cada atividade. A força de Júpiter, em suma, faz-nos rápidos, variados, diversos e incansáveis em sempre renovada criatividade; é como se, ali onde a todos o mundo parece um árduo labirinto; o Jupiteriano passa por dezenas de labirintos ao mesmo tempo, e ao invés de trazer-lhes a chave, antes aprende com eles para novos e maiores labirintos inventar.

Em trânsitos dá-se o mesmo, Júpiter nos toca e flamejamos disposição e inventividade… Há de se ter especial atenção com a quadratura, esta é a mais intensa disposição com que um astro pode estar diante a nós; se bem usada, resultará em literal genial energia, o influído pululará como vivaz vagalume ante ao fosco derredor; a dificuldade com esta energia é poder causar ansiedade e estresse, necessita que lhe demos meio de escape.

O imenso planeta Júpiter, o maior de nossa freguesia, o sistema solar. São o riso e a ironia frequentemente seus dons, também a indagação, a desafiadora e inquietante indagação, mas não taciturna, antes, a pergunta de quem quer com a força curva de uma interrogação (?) derrubar quaisquer muralhas, abrir novos mares. É na água que este imenso planante de fogo se exalta; – e nisto vemos um seu íntimo contato com nosso planetinha Terra. Nas águas cardinais, sempre avante, do domicílio da Lua – a nossa Lua e de mais ninguém! – que faz-se ainda maior, e jorra sua variegada chama nas emoções primevas de cada ser.

Se compararmos o tamanho físico de nosso planeta com a imensidão de Júpiter- compreendemos a farta energia de seu regido; é como se fossem de repente possibilidades tantas, num mundo que, pressentimos, sem a nossa própria força, sói ser tão pequeno.

Rege a casa 9, das grandes aspirações, jornadas, aprendizados, missões. Quando pensamos naqueles grandes caminhos que intentamos percorrer na vida, sintonizamos com a energia de Júpiter. Compreendemos a razão dela existir: abundante e diversa, intensa e irrestrita, para os grandes caminhos, para os grandes passos.

Há outra metáfora com que podemos melhor aperceber o essenciar de Júpiter, e imagens são sempre inspirados guias neste labirinto de saguões-simbólicos que é a terra inteira – e quem quer que deste conceito duvide, leia Borges – em que é difícil distinguir o que é mesmo imagem e o que é mesmo coisa. A chuva nos dá celeste versão da Lua, ao alimentar os rios. A água que nos leva, e diante a qual é difícil manter as mesmas emoções; se os lampejos a alguém por princípio pareceria Marte, lembramos que também há os celestes meteoros com fixo caminho; os raios e trovões muito iluminam e trilham o céu num desenhar de árvores; quando chove: e o céu se torna campo-de-força do signo de Câncer. Raramente atingem a terra – e também o fogo do Sol pode a terra atingir -, em seu constante são um espanto que ilumina o céu em múltiplas veredas, enviadas por Júpiter do alto Olimpo, conforme os mitólogos.

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