Lua em Peixes

Serão as emoções destes nativos melhor compreendidas por imagens marítimas do que por pretensiosas palavras em seu tatear razão. É que o Signo de Peixes é sempre permeado de nebulosa névoa, nele nada é claro, nada é dado definitivo se ver: perene mutação e tudo em variadas formas, assim vagam as emoções destes lunares como vagam as águas; nunca apontarão de certo a razão exata de seu sentir; não entrarão em minúcias e pormenores, mas sentirão aquática e vaga e intuitiva e sentimentalmente o quê (e não de certo o por quê) que lhes comove.

São dados às lágrimas e compaixões. Compadecem-se de tudo, e é como se fosse o passado deles sempre misteriosa navegação. Suas lágrimas são mais salgadas e são mais sensíveis à música e a qualquer sublime devaneio que os humanos comuns. Bem entendem os incensos, as místicas cores, os hippies tecidos e tudo o que tenha um quê de Irã ou Índia. Sabem que há ternura no inebrio, onde outros suspeitam insensatez suspeitam o afeto, e em seu inebriar alcançam estâncias estranhas de passado, visitam lugares, ouvem histórias, aprendem lições.

Às vezes suas emoções são como um bálsamo, trazem inatos em si incensos de variegados olores; Às vezes são como tempestades e a ausência de terrenal dureza faz parecer comandarem com inesperado Tridente a força de maremotos; apenas para melhor calmaria, e as renovadas águas de sal.

Quando Selene, a Grande Lua, nos mares de Netuno faz-se estar – e disto temos a gloriosa visão em noites escolhidas nas litorâneas estâncias – seu refletir prateado equenta as águas de experenciar e as torna mais íntimas.

O experenciar deste mundo é a não-matéria de Netun – pois só em mesmo mutável imaterial forma pode-se experenciar, adentrar o que não é mesmo si e senti-lo por dentro -; a Lua faz com que se sinta todo experienciar como íntimo momento. SUa correnteza marca o passado e na ausÊncia de continentes são as lembranças destes nativos referidas pelas marés.

Lembram de “tempos que tinham este sentido”, “tempos que tinham este ar” e entre impressões sempre multiformes e – aos olhos menos lacrimosos dos outros – um tanto fantasiosas navegam a memória e seu mais amar.

Nunca lhes faltará inspiração, e saberão sempre que estar neste mundo é estar em eterno laço com tudo e tudo o que é: do espelho do oceano a refletir à Lua, à mais recôndita sua miragem, no fundo das areias, no coração de ostra, pérola de inebriar.

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