Lua

Se pode a Lua empurrar-nos mais que quaisquer astros de fogo; contidas lágrimas, caminhemos na água doce e o mundo será todo este sentir – a emoção por trás de tudo, tudo. Se entre os 12 universos for a Lua a nos guiar, veremos o rio que permeia todas as coisas, todas as horas de instantes, em todos os fazeres, seus amares, seus dizeres… Seja dizer que sim, seja dizer que não – adentraremos cada doída ou dádiva de merecida água Lunar, que está em tudo – e às vezes, nas enluaradas noites, descobrimos ser mesmo tudo.

Lunático ponto de vista, é o que desarremeda o Zodíaco e diz que não 12, mas uma, uma realidade, uma prateada, pungente e lacrimosa realidade é a que está por trás de tudo. Quem nunca acreditou neste contar da Lua, quando ouviu alguma melancólica canção ao piano de algum Canceriano compositor, qual um Debussy? Mas e a nossa simétrica lógica Zodiacal? É que há na Lua algo de mágico, que não se explica.

Sejamos Lunáticos, e adentremos, seja com a cautela de Lua em Touro, seja com o destemido influxo da Lua em Áries as mágicas estâncias, nossa Guia e Anfitriã visita cada um dos universos celestiais por breves duas noites, e percorre todo o Céu em exatas 28; A cada 28 noites a Grã-Regente do Coração percorre por cima de nós toda a infinitude; ouso dizer que, quem lhe for sensível, poderá perceber, vida inteira, ou mais que isto, em 28 noites…

Se estava mesmo Safo ante o implacável amanhecer, e a Lua em breve adentraria o signo de Leão, quando escreveu, mediante esplendorosa Lua em Câncer que via no céu – em grego – “que esta noite possa durar duas noites…”. Na Ilha de Lesbos, entre os sonhos e os mares Helênicos…

Mas em qualquer lugar desta orbe da Terra – Aquariana Metrópole, desértica vila, gélida montanha – a Lua rege-nos no seu compassar de um mês. Vemos, com isto, que diante a força impulsiva da Lua a nos ser percebida a cada instante ou perpassar de poucas horas… E a nos dar notícias de todo o Céu em tempo-de-mês, não é apenas romântica visão supor que é ela quem no fundo rege o imenso mundo, ao menos, o mundo que é este nosso Planeta Terra.

Para quem se deslumbra e maravilha com a Astrologia não há astro melhor para observarmos seus efeitos, afinal, em pouco tempo podemos sentir e notar em nós seu passar por cada casa Zodiacal, em poucas horas perpassar a cúspide de um Signo a outro; – experienciar cada um de seus aspectos com cada astro no céu e no nosso mapa natal; para em um mês sentirmos e observarmos tudo isto de novo, mas em nunca repetida ordem; sei, porém, que para muitos céticos, este proceder por si já pareceria demasiado Lunático…

Na Lua vemos também o quanto de mistério há, no que, para os outros astros sói que vejamos apenas matematicamente calculados aspectos; afinal, a deslumbrante Lua cheia é ela em oposição ao Sol, a misteriosa Lua nova é quando em conjunção… E se míngua e cresce em renovadas trinas e quadraturas.

Na tênue infinitude de vinte-e-oito noites está, sempre, a Lua a nos mostrar de cada recôndita porção do Universo algum mágico sentir, trazendo à Terra, talvez de alguma outra distante galáxia, nova e inebriante lágrima de sal.

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