Marte

É a força de Marte que faz ser, criar. É o Planeta ontológico do Zodíaco: o que dá existência. Seu domicílio, Áries, está em oposição à Libra: o que tudo une. É como se, ao unirmo-nos, recusamos um pouco de nosso ser para receber o ser do outro, e para isto nos guia Vênus; com Marte, é o oposto: ali onde cremos que o que devemos fazer é mesmo existir, existir como um raio, fazer acontecer!

Quando só nós sabemos a solução: quando o tempo urge e todos esperam, todos todos esperam… O Marciano sabe que é hora de existir, é hora de ser! Não espera, antes, cria o tempo e faz!

Tudo o que em nossa vida está a tempos por aguardar solução, é um trânsito de Marte que resolverá. Salta-se, lança ou pincel em punho e eis que o quadro que nos cerca já é outro. Seu sopro é vida, vida na maior intensidade; a vida que não satisfeita em ser em si, quer dar vida ao seu redor.

Toda arte é Marciana, é pelo pulsar do planeta vermelho que ela sai das esferas do sonho, da idéia, da emoção e toma forma neste mundo; vemos o pintor a braçadas largas desenhando no quadro-branco o que nunca antes se viu ou suspeitou neste mundo; é Marte dando vida, Marte criando o que é.

Num impulso Marciano tudo o que está ao nosso redor muda; e por vezes mesmo nos esquecemos que vez ou outra tivemos estes decisivos impulsos. É como se vivÊssemos sempre em monótona roda, a girar nos mesmos traquejos. E eis que a roda gira quando um nosso impulso Marciano a faz rodar deveras. Olhamos ao redor.

É o mesmo tapate, a mesma lamparina, a mesma vitrola. Mas sabemos: no ser de tudo, nada mais é igual. Marte é assim responsável pela mudança e pela criação. Seu ímpeto pode vir por vezes em momentos decisivos, quando as circunstâncias clamam por ele – na maioria das pessoas é assim.

Há, porém, os indivíduos mais Marcianos entre nós, aqueles constantes criadors, que são decisivos e intensos por onde passam e a cada momento; não esperam, não apenas observam; sabem que se neste mundo se está, é com pleno direito de existir… de Ser! Mesmo estes, conudo, terão nos trânsitos de Marte decisivas revoluções.

Seremos criadores e viveremos intensamente, conquanto haja Marte no Céu e sua força se nos faça presente. Pra tudo que carecer de existir deverasmente, pra o que tiver que ser eintenso, o muito num instante; chame o influir de Marte.

Conta-se que se fôssemos viver um ano inteiro como que esquecidos de Marte; cada Planeta de nosso Mapa Natal escaparia sorrateiro de seus aspectos, toda noite saíssemos de guarda-chuva para fugir aos seus feros raios; se em todo o ano em um só dia aceitássemos com rubro candor seus celers raios; seria a Lua inundade de memorável fulgor e infindas lembranças, confundindo-nos, e na inefável intensidade, pareceria às vezes ter durado o ano inteiro.

Se ainda assim a glória de Marte a alguém parece pouco; lemremos que Áries – seu palácio – abre a passagem para todo o Zodíaco. Será de Marte o primeiro Amor, o primeiro beijo. É de Marte tudo que é primeiro.

It shall be of Mars the first love, the first kiss; it’s by Mars everything which first is.

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