Plutão

Imaginemos – ou pressentimos – Plutão ao lado de Perséfone (Proserpina) -, dividindo o trono dos subterrâneos, do oculto; – do que não é. O signo de Escorpião forma variadas oposições entre a roda dos Céus – com Touro, o caos e a calma; com Leão – o que se vê e o que as sombras impedem; com Áries, o ser e o não ser; – e como diz o contista “O que há de ser tem muita força”.

O mistério, o oculto, o implícito, o não-dito, o suspeito, o calado, o metafísico, o que há por trás do horóscopo, o proibido, o que provoca, a sombra, o amanhã, o pântano, o que há por trás e por trás e por trás do verbo revelar: meandros em que pressente Plutão a 8ª face de etudo: tudo é a ponta de um mistério.

Serão ocultas as revoluções até sentirem o toque de aquático-mistério do planeta mais distante desta obre entre tantas estrelas de construir galáxias… E nada será como antes. Todos giram em torno do Sol , e distante, onde nem se nota, Plutão, tão lentamente… Envelopa a todos.

É o mistério do porvir e do simples ser, o mistério de toda palavra, de toda voz-de-palavra, of every defying rhyme-sword, of evry writting mistake. Todos sabemos do mistério – sem saber se ele sabe de nós – o mistério do vento na janela à madrugada, do tempo, das estrelas… Quem nasceu, porém, sob a sombra de Plutão sabe o mistério de tudo: te sabe mistério.

E em te saber mistério mais te saberá por dentro; mais te sentirá o âmago: e o âmago de tudo de certo é perdição, ou é fôlego. O resistente, e às vezes obcecado Plutônico que tudo vê do que não existe – e lá está – do que não se diz – mas por si grita! – do que não se faz – e por isto é como se fora mil vezes no ardor do fogo feito.

O inverso do Sol traz ele nos olhos e te incita:

Ao que cala? Do que duvida? Por que deixar na sombra se é mesmo Sol a tua vida?
Mas, “On ne voit pas Pluto”, Plutão sombreia a todos; e seu sub-e-sublime mundo todos conhecemos; o que há de misterioso em nós? Pergunte ao espelho, que é uniforme prata e contudo presença perene nas histórias-de-maravailha. Entre o espelho, o eu e o medo; jaz Plutão a encortinar o nosso enredo.

Deram os sábios astrólogos à Plutão a exaltação em Leão. Disseram: da sombra, eis o palco. Fãs de Voltaire e de Janis, de certo. No que não seria nem mesmo fazer, ser, o impacto maior do oculto: basta vir à luz, aquilo, aquilo, aquilo; iluminado – foque o holofote no lodo: e eis que já é outra era, outro tempo, outro a ser esclarecido engodo.

Outra alternativa, porém, de outros místicos sábios, foi darem-no de exaltação o inebriar de Peixes. De certo, aprenderam nas antigas letras gregas que Poseidon(Netuno) era quem de cujo reino de Plutão mais perto estava e o visitava. O Sonho-Mistério, o despertar do oculto pelo sonho; o ir além de tudo e tudo pelo navegar entre os mares que de nada ainda conhecemos.

Porém, na mitologia, Plutão ao menos uma vez do oculto saiu – a encontrar Perséfone; Filha de Ceres; encontrou-a, e com a ajuda de Vênus a encantou bem no signo de Touro, oposto à Escorpião, oposto à sua morada… E a cúspide de Touro abriu-se o portal; para a outra curva da eclíptica.

Perséfone, filha da Deusa-Mãe Deméter fez-se assim dupla rainha: do oculto e do florecer das plantas e nosso rotineiro colher. Ceres, palenta que hoje é associado ao “cuidar”, ao que fazemos de cotiniado, rotineiro, com candura; – ao que faz o mundo continuar rodando – em intencional assocoiação ao signo de Virgem.

Se pensarmos na magnífica Perséfone, uplamente rainha; de Virgem e de Escorpião, unidos pelo domicílio de Vênus; compreendemos que sob o nosso cotidiano cuidar de tudo o que é sublime e real, muito há de sublime e oculto.

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