Signo de Aquário

Quando a cabra-marinha, símbolo do signo de Capricórnio, chegou no alto da montanha que almejava, lá encontrou amplo e rarefeito ar: de onde tudo se enxergava. Não havia lá espaço para as trocadas permutáveis idéias que variam pela terra, nem para o inebriar do mar e os sentimentos mesmos cediam àquela ampla visão, de lá se vislumbrava o que é mesmo certo, correto, a nobreza da razão primeva que permeia todas as coisas: o que deve ser. Do alto: o que está por vir a ser.

Começamos o relato com a cabara do signo de Saturno pois este era o planeta que na astrologia antiga regia também o signo de Aquário. E continua havendo estreita relação entre os dois âmbitos: a sisudez capricorniana em ir sempre para mais alto, como de encontro aos altos valores aquarianos; estes, já mesmo fora deste mundo. Considera-se que Saturno envelopa as relações efêmeras de nosso mundo sublunar – o que está alem dele guia-nos, de certo, mas com redobrado mistério: Urano influi-nos coragem com a solidez fluída do ar que nada pode atingir: a coragem de quem sabe seus valores e enxerga além. Também, a vontade de independência, da mais absoluta liberdade para poder sermos aquilo que enxergamos claro como o amplo céu, o inquestionável, irredutível – pois se enxerga além dos que tem Saturno como último horizonte.

O Aquariano é, assim, rebelde; de certo, para a visão alheia; em realidade, consigo mesmo, não se preocupa em conseguir as mesquinhas coisas deste mundo – seu ar esnobe e desprezo pelo que o rodeia é deveras sincero – e nisto, incompreende Capricórnio, cuja seriedade respeita; sua visão sempre num amplo além tão mais sublime o faz impecável nas ações sem tampouco torná-lo terrenamente ambicioso – longe de cultivar devaneios, seu proceder é pura compreensão do que percebe mais real.

Onde Urano toca o mapa natal, temos contato com os mais altos valores, com o real superior que nem sempre é visto entre as rodas-de-conversas deste mundo, mas que está sempre por surgir: Urano sopra o vento que nos trará o futuro. Em grego, seu nome quer dizer o próprio Céu.

Curiosamente, é filho da Terra, que pariu-o de si mesma e antes de tudo; nele vemos o bailar de cada astro. Foi Saturno quem o destronou, em ato que, com auxílio de Netuno fez surgir Vênus. Vemos que, assim, Vênus é filha – de intrincado modo – de Urano, Saturno e Netuno ao mesmo tempo: Saturno conseguiu junto a Urano algo de seu sublime compreender e misturou com um pouco do sonho Netuniano, criando Deusa mais sutil e agradável para a harmonia no frágil mundo sublunar instaurar, harmonia que, contudo, nunca deixa de aos céus aspirar.

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