Signo de Leão

O signo de Leão é o palco do zodíaco, – abertas cortinas – adentre com cuidado: nada aqui passará sem ser visto. Em sua correta quadratura com Escorpião – o mais oculto – brilha nele luz que julgam seria capaz de iluminar toda a restante eclíptica. Não sem razão, uma vez que nele faz morada o Sol, centro absoluto do sistema solar, no nosso ainda infante heliocentrismo. Mais que isto: é a única nomeável estrela dentre os planetas, constante que seu planar não lhe dê epônimo e que estejamos em hodiernos tempos em que só aos mais românticos espíritos ofende dizer que a Lua tem-lhe de empréstimo a branca luz.

Sejamos geocêntricos, porém, e vejamos o Sol como suma estrela a brilhar o céu – o Deus que tudo vê e a tudo ilumina: é fácil perceber que o essencial deste signo é compreender que nele tudo deve ser visto, apreciado, iluminado, conhecido, sua essência mais íntima é esta: de esclarecer.

Conquanto sua intensidade estelar inquestionável: é um fogo fixo, sem a impulsividade de Marte ou a mutabilidade de Júpiter, o Sol acende – a nossa consciência – como holofotes que iluminam o amplo palco, e agora resta ver, ver, ver: mais que ver, ser amplamente conscientes de tudo! Saber profundamente tudo que nos toca, e nada nisto restar de oculto: há no Sol generosidade semelhante à de Júpiter, seu trabalho é o de iluminar, cada ponto e cada fresta, explora, quando pode, até os entremeios do Tártaro – tudo iluminar – é o que move o Sol ao desenhar a eclípitica; – de tudo estar consciente, é o que move nossa incansável consciência.

Não que seja mero curioso, em sua nobreza respeita o que e como saber; mas quer ser suficientemente consciente inclusive dos limites do que se deve conhecer, de qual modo, quando e por quê. Saber por inteiro, o Sol não aceita meios-saberes qual luz fosca de meio-esclarecer: quer iluminar cristais – sentir qual fogo aquilo de que não se tem ouvir dizer, fantasia, ou mera ciência: quer na mais plena chama a consciência: o astro-rei sabe que saber mesquinho é saber poder, o saber real, é ser.

Em Leão se vislumbra a exaltação de Plutão, e esta é a genuína exaltação do Zodíaco, posta no mais verdadeiro palco: o planeta revolucionário a transformar a luz – a consciência; a década de 70 – quando a jovem geração de plutão leonino subia aos palcos – não deixa dúvidas do impacto que a grande exaltação zodiacal pode provocar; – para aqueles que lamentam não lhe ter vivido, cumpre dizer que, na distanciada órbita de Plutão, levará em torno de 300 anos para uma nova Woodstock.

Nem tudo, porém, é motivo para lamento, afinal, o Sol brilha para todos e estamos todos conscientes: a cada ano nascem, logo no começo do ano astrológico, aqueles que trazem consigo a consciência em sua plena exaltação: o signo de Áries. E se o melhor da consciência é quanto mais plenamente impulsiva é pela simples razão de não haver meia consciência. Ou se tem consciência plena e completa de algo, ou simplesmente não se tem. Meia-consciência é antes ludíbrio, fraude, sonífero disfarçado de luz; pelo que no iluminar o próprio impulso mais intenso que o Sol se exalta, restando aos Arianos esta honra real.

Realeza, atributo que cabe àquele que não se esconde, mas tem no mais aparecer sua maior defesa. E nisto fica clara a antítese subjacente ao signo: o paradoxo do rei e do bobo. Do rei nu das estórias de outrora; ou estamos plenamente conscientes, ou nossa falsa realeza queda desmascarada; ser rei é coisa rara, e não se deve tomar o cetro à toa: o palco nunca perdôa.

E eis que nossa consciência clama, pra que tudo saibamos: até dos astros que nos tecem nossa trama. E a vida tirana: há de ser mais consciente, e quanto mais real menos tacanha.

 

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