Signo de Virgem

Era no céu uma imagem entre as estrelas, que se repetia a cada anoitecer. Uma moça, com dois fachos, um em cada mão erguidos: semelhante à Deusa das colheitas, que quando incorporava a Pitonisa em anuário festival, com o vir das estações, chacoalhava eruigods os fachos de trigo – com a altivez e imponência que nos garantia mais um ano de da Terra bem se alimentar, graças à Deusa.

Quem nascia com muitos destes astros navegantes próximos à moça do céu teimava em vir ao mundo como que mais pronto para toda plantação: atenciosamente colhia cada favo e analisava a espessura e madurez, sem nunca perder o brio; do ritmo dos ventos, do céu e das chuvas não se olivdava; tampouco se adiantava, metodicamente aparecia sempre na hora certa, e sem se cansar, com a humildade de quem cumpre um rital, uma missão: de certo, de certo fora uma assim que primeiro inventara a própria idéia de plantar.

A imagem logo foi reconhecida como emblema da Deusa-dos-Grãos, tingindo-se de estrelas a abençoar; isto, nas idas terras da Assíria, adiante Eufrates, entre a brisa almiscarada da Babilônia e as caravanas de Susa; muitos séculos antes de Alexandre se lançar rumo ao Nilo, já chegara na Grécia as alvissareiras descobertas que uniam o voltear da Terra e Céu: talvez, por ainda estranhar unirem seus Deuses à tão fascinante quanto exótica ciência, chamaram a constelação de Parthenos, a Virgem.

Nome que séculos mais tarde chegaria em Roma, no que se manteve em nosso português: nascer sob o signo da Virgem, o âmbito mutável de Terra, oferece sobretudo Candura, palavra deste signo mais inata. A timidez é resultado de um calmo se impressionar com tudo o que deveras existe; sente-se, neste signo, a necessidade de um correto proceder, afinal, analisar os mínimos detalhes de tudo o que de real existe – e isto inclui as idéias, os pensamentos – requer além da calma e paciência um certo proceder correto e ordenado.

Não confunda-se com isto que deverá ser o virginiano um conservador, ou estrito cumpridor de cada dever social; ele o é, antes, na aparência: com a mente ativa e incansável – é o domicílio noturno de Mercúrio na astrologia tradicional – necessita de ordens e métodos próprios: para sua atividade pessoal. Mesmo o mais revolucionário virginiano saberá a força que a ordem e o método tem naquilo que faz de melhor: analisar, medir, verificar, realizar com extremada atenção, e sobretudo: cuidar.

Nisto, a empatia e candura virginiana mais se sobressaem: com seu detalhe e perfeccionismo associados à calma terrena o virginiano age com afeto, o que ninguém entende em sua pacífica calma ao realizar cada atividade, aquele candor em dedicar-se ao que aos outros parece tão aborrecido; enxerga – olhares de Deméter – um certo amor em tudo que existe, em tudo o que pode ser deveras tocado, em tudo o que na metamorfose incansável deste mundo parou um pouco, para existir. E enquanto formos existência nesta imensa Terra, sempre há de estar no céu este buquê de estrelas: constelação que nos enxerga e nota em nosso frágil, simples ser.

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