Sol

E diz-nos o Sol pra tudo esclarecer, tudo mostrar, tudo ver. No seu iluminar do Céu é exemplo: mostra como é radiante brilho, e a beleza que está no aparecer… Esclarecer, mostrar, brilhar, ser, mas não o ser incisivo da força cardinal de Marte, antes um ser que é imenso – não porque se expande como Júpiter, é fogo fixo – mas imenso porque brilha.

Está no brilhar a força do Sol – e disto nunca suspeitamos? – ante todas as forças, todas as intempéries vem o Sol e brilha – luz que a tudo sabe ofuscar. Vemos o que ele quer mostrar, se é a Terra imenso teatro, como dissera Plotino, é o palco do Sol.

Diferentemente da Lua que é imenso luminar mas que gira em torno da Terra, e assim se vê nela sua maior importância; o Sol é o centro de todo o Sistema Solar; acaso nos Coperniquemos, não podemos pois nos iludir: não é só neste imenso azul à guache branco que brilha a Grã-Estrela. Sua luz perpassa todo o Sistema Solar – e é provável que em distantes pontos do nunca infinito ainda a vejam, e calculem seus alterdimensionados Mapas Astrais mediante o Sol, como fazemos com Regulus ou Aldebaran.

A própria Lua tem sua Luz do Sol – e isto não é para desanimar românticos, sabemos dos aquáticos influxos lunares e que são sublimes sem precisar ser brilho – a espelhada Lua cheia mostra-se assim produto de duas forças: o piano de Debussy e o “Respeitável Público” de um locutor circense.

Mas se tanto te comove? Ora, veja que a Lua sempre comove, mas nunca fora a comoção tão preclara!

Fazer aparecer, ver, mostrar: o Sol rege o teatro e o brilho; aquilo que em toda arte não carece ser exatamente harmonia ou beleza – dons de Vênus – mas que impressiona! Que é espanto! Que faz-nos admirar, maravilhar, sublimar a visão e de repente envergonharmo-nos de estar ali parados, olhos fixos, malemolente expressão facial, feito crianças… A mais miúda compleição solar em forma de matéria é a purpurina.

Feito crianças! Não à toa é o regente da casa 5 – o reino da infância, dos cavaleiros e das bruxas e dos sete potes-do-arco-íris pois em ser mais criança tanto se quer ver, o mundo inteiro brilha quando se é criança; tudo é mistério, antes, diáfana manifestação; o mel da purpurina e do sonho está em todas as coisas; mas a criança não se esmera por sonhar, como faz o adolescente, ela quer ver! Não nos surpreendamos que, o Sol brilhando para todos, somos todos crianças; – e que aquele nosso Signo que desde a infância conhecemos – é nosso signo de Criança.

Morada do Sol que sempre será nosso recanto de encanto e maravilha.

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